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Olhando
pelo retrovisor da vida podemos ver com mais clareza aquilo que víamos
no momento em que o estávamos vivendo.
Tudo aconteceu como uma simples resposta do tradicional catecismo de perguntas
e respostas: "Para que viemos ao mundo?. Para amar a Deus e servi-Lo
neste mundo e depois gozar d'Ele na eternidade".
Quanta crítica já se fez de toda aquela metodologia! Hoje
estou convencida de que todo método carrega riqueza e ambigüidade.
O questionamento não se fez esperar. Como devo servi-Lo e amá-Lo,
já que esta é a finalidade do existir?
Transcorreu algo em torno de uns quatro anos. Estava eu com 14 anos, caminhando
cedo pela rua onde morava. Ao passar perto de uma ponte sobre um pequeno
riacho, voltando da Igreja onde havia ido só para comungar porque
não havia tempo suficiente para participar da missa, fui invadida
por um profundo questionamento que provocou em mim uma resposta: consagrar-me
a Deus na Vida Religiosa.
Hoje posso afirmar com segurança que ali, naquele momento se deu
a celebração da minha entrega definitiva, já que
Deus dispensa papéis, fotos, microfones, festas, embora estas façam
parte e sejam importantes em nossa caminhada humana, social e histórica.
Veio depois um período de seis anos gastados com muitos sonhos
e dificuldades: vida contemplativa, missionária na África,
vida ativa... o forte empecilho de meu pai e enfermidade duvidosa de deixar-me
com vida. 50 anos atrás, distinguir tumores malignos de benignos
não era tarefa simples, mas foi com esta dificuldade maior, que
as portas se abriram, estando eu então, com 20 anos e com estes
entraves resolvidos.
Nesta época a preferência já havia caído sobre
as Irmãs Escolápias, em cujo Colégio da cidade de
Oliveira, Minas Gerais, Brasil, eu havia cursado desde a 5ª série
do Curso Fundamental ao Curso Médio. Ali encontrei também
excelente orientadora vocacional: Ir. Dinah Amorim ou Madre dos Anjos,
hoje em processo da Canonização, que ajudou-me a vencer
tantos obstáculos.
No dia 20 de janeiro de 1960, com 20 anos de idade eu começava
o Pré-noviciado em Belo Horizonte. Este período como também
o Noviciado, transcorreu cheio de dificuldades, seja por saúde,
adaptação, saudades da família e a austeridade da
Vida Religiosa exigida naqueles tempos.
Posso afirmar que a maioria dos jovens que hoje lêem este relato,
gostariam de perguntar-me: Valeu a pena? O que mudaria?
Ser Religiosa Escolápia é uma grande graça, um dom
que não me canso de agradecer a Deus, bem como o dom da vocação
religiosa. Em toda a caminhada pude descobrir que aqui somos, felizmente,
povo santo e pecador, mas é um Instituto Religioso sério,
comprometido com o bem, onde os valores humanos e culturais se encontram
em igual valorização com os bens espirituais. A Pessoa é
o bem maior.
Se hoje, aos quase 50 anos de vida religiosa, me considero feliz, é
porque pude contribuir um pouquinho para que este Instituto religioso
fundado por Santa Paula Montal, fosse também um pouquinho melhor
pela entrega da minha vida a ele.
E você, jovem destemida, sonhadora, não quer juntar sua riqueza
à nossa para uma nobre causa? Haverá desafios, mas somente
nos sentimos plenas, vencendo-os.
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